Marcos Pereira deve substituir Alcolumbre no comando do Congresso

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Deputado dará prioridade às medidas relacionadas com a pandemia do coronavírus

O primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), disse ao Valor que se o sistema de votações remotas for bem sucedido nos primeiros testes, acha “provável” a chance de interromper o funcionamento físico do Congresso Nacional. A prioridade das votações nos próximos dias – remotas ou presenciais – será a análise dos projetos emergenciais para o combate ao coronavírus, nas áreas de saúde e economia.

Se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que foi contaminado pelo coronavírus, se licenciar do cargo para tratamento de saúde, Pereira assumirá interinamente a presidência do Congresso, e portanto, a deliberação sobre as pautas dos nove vetos presidenciais pendentes e matérias relativas ao Orçamento.

Uma dessas matérias, por exemplo, é o controverso PLN 4 que destinou R$ 20,5 bilhões aos parlamentares em emendas impositivas, conforme acordo entre o governo e o Legislativo. Pereira afirma que este projeto não é prioridade e deve ficar pra depois.

Pereira – que também é presidente nacional do Republicanos – e Alcolumbre ainda não se falaram. Depois de passar uma noite hospitalizado em Brasília, o senador do DEM foi transferido ontem para a residência oficial, onde se encontra em regime de isolamento.

“Não podemos e não vamos parar de trabalhar, mas vejo como provável a chance de fechar o funcionamento físico do Congresso como forma de preservar senadores, deputados e funcionários”, afirmou.

Ele avalia que o governo subestimou a crise no início e que serão necessários alguns dias para testar a eficácia do pacote anunciado pelo governo. Pondera que o momento pede o somatório de forças, e não o ataque à “soberania das nações amigas”, em alusão ao incidente diplomático com a China provocado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) (ver também página A6).

Pereira lembra que visitou a China três vezes como ministro [do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, no governo Temer] e sempre viu reciprocidade na boa relação econômica e de amizade. “Os chineses são nossos principais parceiros comerciais e não acho que seja hora de difundir teorias de conspiração que circulam no submundo da internet”, criticou. “Devemos gastar energia trabalhando pelo povo, e não promovendo o caos nas redes sociais”, advertiu.

Alerta que na atual conjuntura “o inimigo comum” é a pandemia do coronavírus e “quem não entender isso de uma vez por todas certamente não está com os pés fincados na realidade. Ele estava ontem em São Paulo mas retorna hoje a Brasília onde ficará indefinidamente, “até as coisas se acalmarem”. Viajou em avião de carreira e usando máscara de proteção.

Pereira acredita que, mesmo por meio de votações remotas, o Congresso continuará ativo no enfrentamento da crise, como na aprovação célere do decreto sobre o estado de calamidade pública.

Ele acha que é cedo para dimensionar o impacto das restrições à economia, mas antevê “tempos muito difíceis” e defende que cada setor seja tratado individualmente na crise. “Todas as iniciativas para proteger não apenas as grandes empresas, mas os pequenos e médios negócios, sobretudo os trabalhadores individuais e autônomos, serão bem-vindas e contarão com o meu apoio e o do meu partido”.

Se necessário, ele defende a suspensão do prazo das medidas provisórias, para que matérias importantes não caduquem, como a MP do programa de geração de empregos Verde e Amarelo, que expira em 20 de abril.

Bispo licenciado da Igreja Universal, o deputado é cotado para disputar a presidência da Câmara no próximo ano.

Texto: Valor Econômico
Foto: Douglas Gomes

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